Trabalhando regiões de alta vulnerabilidade no enfrentamento da Covid na área social

Trabalhando regiões de alta vulnerabilidade no enfrentamento da Covid na área social

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A atuação da assistência social trabalhando regiões de alta vulnerabilidade já é uma realidade há anos, ainda mais a nível municipal, a equipe técnica do SUAS já vem atuando nessas regiões e seus trabalhos são importantíssimos para o desenvolvimento da autonomia dessa população.

As regiões mais vulneráveis já são, normalmente, esquecidas por projetos de políticas públicas, o acesso a equipamentos de saúde é falho, faltam creches e escolas próximas às residências e muitas casas ainda não têm acesso a saneamento básico.

Mesmo com essa realidade, as regiões mais vulneráveis continuam enfrentando de igual para igual a pandemia. A corrida é desigual, mas o trabalho realizado a nível local vem explicitando que a união de moradores e a atuação de lideranças comunitárias podem ser mais resolutivas do que algumas ações do poder público.

É o caso de Paraisópolis, na grande São Paulo, que, por iniciativa dos moradores, montou 2 centros de acolhimento provisório, com o total de 510 leitos. Contratou 3 ambulâncias para cobrir a região, que nem mesmo o SAMU atende, e ainda fizeram ações de distribuição de materiais de higiene e alimentos às pessoas que estão em situação de calamidade.

Ainda em Paraisópolis, vimos duas ações que auxiliaram para esse embate, uma delas são os presidentes de rua, na qual os escolhidos atuam para conscientizar e controlar o isolamento social, e também para distribuir alimentos, e auxiliar os encaminhamentos de casos suspeitos naquela região.

Leia também: SCFV na Pandemia.

A assistência social trabalhando em regiões de alta vulnerabilidade durante a pandemia

A primeira ação é de identificar e conhecer o território. Entender as necessidades de determinada região é o princípio básico para atuação dos técnicos do SUAS. Após a identificação das situações mais calamitosas, os gestores devem traçar os planos de atuação, pensando a nível micro e macro, para que seja possível o enfrentamento, uma a uma, das situações identificadas. Lembrando ainda, que as ações devem ser pautadas no que preconiza o SUAS e sempre atuando por etapas, pensando na sua realidade orçamentária e da sua equipe técnica.

Diante dessa nova realidade advinda por meio da pandemia, o papel da assistência social é de atenção e contato com as pessoas que estão cada vez mais vulneráveis. Ações importantes dos técnicos da assistência social nesse momento:

  • Buscar Informações corretas sobre a Pandemia, podendo deixar a população mais bem informada e tirando dúvidas pontuais sobre a doença;
  • Encaminhar e fazer o contato com os centros de atendimento ao coronavírus na região de moradia do usuário;
  • Conscientização da população sobre a importância de lavar as mãos e uso de máscara.

Algumas cidades podem precisar de uma ação mais combativa nos casos de violência intradomiciliar (segundo os dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, houve um aumento de 36% nas denúncias de violência contra mulheres), ações que podem auxiliar os gestores da Assistência Social:

  • Articulação entre as secretarias e entes públicos e privados (Saúde, Educação e Assistência Social, Entidades Socioassistenciais, Setor Judiciário, Conselho Tutelar e Conselhos de Direitos);
  • Matriciamento e definição das responsabilidades dos técnicos envolvidos;
  • Priorização dos casos mais graves e que envolvam risco iminente aos mais vulneráveis;
  • Redesenhar o fluxo de atendimento diante da pandemia;
  • Reuniões periódicas com diferentes equipes técnicas para acompanhar caso a caso.

Já outros gestores precisam pensar em situações mais emergenciais no acesso a itens de higiene e equipamento de proteção individual, ações essas que visam dar mais segurança para os usuários e tentam mitigar essa doença tão nefasta, principalmente trabalhando regiões de alta vulnerabilidade (conforme estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP, divulgado pela FAPESP, Risco de morrer por COVID-19 em São Paulo é 50% maior em áreas de menor nível socioeconômico, que demonstram a vulnerabilidade dos locais com menor nível socioeconômico).

Devemos, ainda, lembrar que o governo federal, via Ministério da Cidadania, disponibilizou recursos específicos para o enfrentamento da pandemia, que são a portaria 369 (mais ligada a compra de EPI, Alimentos e também para Serviços Socioassistenciais) e a portaria 378 (que vão desde Proteção Social Básica até a Proteção Social Especial).

A atuação dos gestores e dos técnicos do SUAS é primordial nesse momento, mas devemos ressaltar o cuidado da equipe sempre equipada com EPI, bem como diminuir as visitas domiciliares.

E você gestora ou técnica do SUAS, como você vem atuando na Pandemia? Conte para nós!

Referências

Por que Paraisópolis se destaca no combate ao coronavírus

Boletim Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas: Análise da frequência, incidência, motalidade e letalidade por COVID-19 em favelas cariocas.

PerifaConnections: Enquanto governantes retiram direitos, favelas se organizam contra o coronavírus.

Ligue 180 registra aumento de 36% em casos de violência contra mulher.

Risco de morrer por COVID-19 em São Paulo é 50% maior em áreas de menor nível socioeconômico.

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