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Por Eugene Francklin
2025 foi um ano de estruturação para o SUAS. Com o início de um novo ciclo de gestão, equipes precisaram se debruçar sobre diagnósticos, pactuações e documentos fundamentais para orientar a política de assistência social nos próximos quatro anos. Entre esses instrumentos, um ganhou destaque: o Plano Municipal de Assistência Social (PMAS).
Agora, o cenário muda. 2026 marca a virada do planejamento para a ação.
É o momento em que o PMAS deixa de ser apenas um documento e passa a ser colocado em prática nas decisões da gestão, na organização dos serviços, no trabalho das equipes e na relação com o controle social.
E é justamente aí que surge uma pergunta comum: Como transformar o PMAS em ação concreta no dia a dia da gestão?
Este texto foi pensado como um passo a passo, para apoiar gestores e equipes nesse desafio.
Vamos colocar o PMAS em prática?
Passo 1: Tire o PMAS da gaveta e traga para o centro da gestão
O primeiro movimento é simbólico e estratégico. O PMAS não pode ser tratado como um documento que “já cumpriu sua função” só porque foi aprovado. A partir de agora, ele precisa ocupar um lugar central nas decisões da política de assistência social.
Isso significa que é necessário:
- retomar o documento com atenção;
- reconhecer o PMAS como referência principal do planejamento;
- abandonar a lógica do improviso e da resposta apenas às urgências.
Passo 2: Releia o PMAS com olhar estratégico e coletivo
Agora que o PMAS já foi aprovado e hora de retomar o documento para uma leitura estratégica, para entender o caminho que o município decidiu seguir.
Uma boa tática é organizar uma releitura orientada por perguntas, como:
- Quais são as prioridades definidas para o período do plano?
- Quais metas precisam começar a ser executadas imediatamente?
- O que exige reorganização interna da política?
- O que depende de articulação com outras áreas da gestão?
Sempre que possível, essa releitura deve envolver coordenações, equipes técnicas, vigilância socioassistencial e gestão do trabalho. Quanto mais o plano é apropriado coletivamente, maiores são as chances de ele se concretizar no território.
Passo 3: Transforme diretrizes e metas em ações executáveis
Esse é o ponto em que muitos PMAS travam, o plano existe, mas não vira ação concreta.
Para avançar, é preciso fazer um exercício de tradução:
- diretrizes → viram ações
- objetivos → viram tarefas
- metas → viram prazos, responsáveis e recursos
Na prática, isso significa desdobrar o PMAS em instrumentos operacionais, como:
- planos de ação anuais,
- cronogramas de execução,
- definição clara de responsabilidades,
- estimativa de recursos financeiros e humanos.
Aqui, o diálogo do PMAS com o Plano de Ação, o PPA, a LDO e a LOA é fundamental. Planejamento só se sustenta quando conversa com o orçamento.
Leia também: Gestão focada em impacto na assistência social: quais indicadores para medir as ações?
Passo 4: Use o PMAS como base para as decisões do dia a dia
O PMAS não serve apenas para planejar o futuro. Ele é uma ferramenta poderosa para resolver dilemas cotidianos da gestão. Sempre que surgirem perguntas como:
- “Onde investir primeiro?”
- “Qual serviço fortalecer?”
- “Por que ampliar equipe?”
- “Como justificar essa decisão para o Executivo?”
Vale voltar ao plano.
Quando o PMAS é usado como referência, ele orienta prioridades, dá respaldo técnico às decisões, fortalece a posição da gestão e reduz decisões improvisadas.
Passo 5: Acompanhe, monitore e ajuste o percurso
Colocar o PMAS em prática não significa executar tudo exatamente como foi escrito, sem revisões. O plano precisa ser acompanhado, monitorado e ajustado ao longo do tempo.
O monitoramento permite:
- identificar avanços e obstáculos,
- compreender por que determinadas metas não saíram do papel,
- redirecionar estratégias sem perder os objetivos centrais.
Esse acompanhamento pode ser fortalecido com:
- indicadores definidos no próprio plano,
- apoio da vigilância socioassistencial,
- registros sistemáticos do trabalho,
- diálogo permanente com equipes e controle social.
Passo 6: Compartilhe o PMAS com o Conselho
A execução do PMAS não é tarefa exclusiva da gestão. Ela é, necessariamente, coletiva, como já falamos.
As equipes precisam conhecer o plano, se reconhecer nas diretrizes e compreender como seu trabalho cotidiano se conecta com os objetivos definidos.
Da mesma forma, o Conselho Municipal de Assistência Social segue tendo papel fundamental no acompanhamento da execução do PMAS, fortalecendo o controle social e a política no território.
Quando o plano é apropriado por todos, ele deixa de ser apenas um documento técnico e passa a ser um projeto político de fortalecimento do SUAS.
PMAS em prática: mais do que um plano, um caminho
Agora, com o PMAS aprovado, ele precisa ganhar vida no cotidiano da gestão, nos serviços, nas equipes e nas decisões.
Colocar o PMAS em prática é organizar prioridades, dar direção à política, fortalecer o SUAS no território e, principalmente, garantir direitos.
Planejar foi o primeiro passo. Executar, acompanhar e ajustar o PMAS é o que transforma o planejado em realidade.
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