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O Trabalho Social com Famílias é um dos pilares da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Ele busca fortalecer os laços familiares, garantir direitos e promover a autonomia dos indivíduos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O Trabalho Social com Famílias é um conjunto de ações e serviços voltados para o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, visando a superação de vulnerabilidades sociais. Vamos conhecer mais sobre ele e como ele se organiza?
Importância do Trabalho Social com Famílias
O Trabalho Social com Famílias tem um papel estratégico na promoção do bem-estar, pois busca:
✅ Prevenir situações de vulnerabilidade e risco social antes que se agravem. Atuando na prevenção de situações de risco social, fortalecendo a autonomia das famílias.
✅ Fortalecer os vínculos familiares e comunitários, promovendo relações familiares mais saudáveis e fortalecidas.
✅ Garantir o acesso a direitos, facilitando o encaminhamento para políticas públicas de saúde, educação, moradia e geração de renda.
✅ Acompanhar famílias em situações de violação de direitos, oferecendo suporte especializado.
✅ Estimula a participação ativa das famílias na sociedade e na construção de sua autonomia financeira e emocional.
Mas afinal, o que significa trabalhar com famílias no contexto da Assistência Social?
No SUAS, a família é compreendida em sua diversidade, indo além do modelo tradicional. O conceito adotado reconhece diferentes configurações familiares, considerando os laços afetivos e de cuidado entre seus membros. Isso significa que a Assistência Social trabalha com todas as formas de organização familiar, garantindo apoio às mais diversas realidades.
O Trabalho Social com Famílias deve estar ancorado na realidade territorial, considerando as necessidades e características de cada comunidade. Essa abordagem territorializada garante que as políticas públicas sejam mais assertivas e adequadas às condições locais. Conhecer o território permite identificar desafios, vulnerabilidades e potencialidades, possibilitando um atendimento mais próximo e eficaz.
Como se organiza o trabalho social com as famílias
O trabalho social com as famílias ocorre principalmente nos serviços da Proteção Social Básica e Especial, especialmente nos CRAS (Centros de Referência da Assistência Social) e CREAS (Centros de Referência Especializados de Assistência Social).
O PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família) e o PAEFI (Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos) são os dois principais serviços do SUAS voltados ao trabalho social com famílias. Cada um atua em um nível de proteção diferente:
PAIF – Proteção Social Básica
📍 Onde ocorre? No CRAS (Centro de Referência da Assistência Social).
📍 Público-alvo: Famílias em situação de vulnerabilidade social, mas sem violação de direitos graves.
📍 Objetivo: O PAIF tem um caráter preventivo e proativo. Seu principal objetivo é prevenir situações de risco, fortalecer os vínculos familiares e comunitários e promover o acesso a direitos e o acesso a serviços, benefícios e atividades que promovam sua autonomia.
Principais ações do PAIF:
✅ Acolhimento e escuta qualificada das famílias.
✅ Promoção de grupos e oficinas temáticas sobre convivência, cidadania e direitos.
✅ Orientação e encaminhamento para programas sociais, como o Bolsa Família.
✅ Acompanhamento familiar para fortalecimento da autonomia.
✅ Articulação com políticas públicas para encaminhamentos necessários.
PAEFI – Proteção Social Especial de Média Complexidade
📍 Onde ocorre? No CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).
📍 Público-alvo: Famílias e indivíduos que vivenciam violação de direitos (violência doméstica, negligência, trabalho infantil, exploração sexual, etc.).
📍 Objetivo: Oferecer atendimento especializado para interromper as violações de direitos, fortalecer a autonomia e promover a reinserção social.
Principais ações do PAEFI:
✅ Atendimento psicossocial especializado.
✅ Acompanhamento contínuo para a superação da situação de violência ou violação de direitos.
✅ Articulação com o Sistema de Justiça, Conselhos Tutelares e demais políticas públicas.
✅ Mediação de conflitos familiares e ações para fortalecimento de vínculos.
✅ Encaminhamento para rede de proteção e apoio na reconstrução dos projetos de vida.
Enquanto o PAIF atua na prevenção, o PAEFI atende casos que já envolvem riscos e violações, garantindo suporte para que as famílias possam se reestruturar. Ambos são essenciais no SUAS e devem atuar de forma integrada para garantir a proteção e o desenvolvimento das famílias.
Leia também: SCFV: Tudo o que você precisa saber sobre o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos
Garantindo uma atuação integrada entre PAIF e PAEFI
Para garantir que o PAIF e o PAEFI atuem de forma integrada, é essencial adotar estratégias que favoreçam a articulação entre os serviços, promovendo um fluxo contínuo de atendimento às famílias. Aqui estão algumas ações fundamentais:
1. Criar Fluxos de Atendimento Integrados
- Definir protocolos claros para encaminhamento entre CRAS (PAIF) e CREAS (PAEFI).
- Estabelecer critérios objetivos para identificar quando uma família precisa de acompanhamento especializado no PAEFI.
- Garantir que as equipes dos dois serviços estejam alinhadas na comunicação e nos encaminhamentos.
2. Adotar Prontuário Único no SUAS
- Utilizar o Prontuário SUAS, ou uma plataforma de gestão que permite integrar os equipamentos, como o GESUAS, para registrar e monitorar o histórico de atendimento das famílias.
- Permitir que os profissionais do CRAS e CREAS tenham acesso compartilhado (dentro dos limites éticos e legais), facilitando a continuidade do atendimento.
3. Realizar Reuniões Técnicas Regulares
- Criar um Grupo de Trabalho Intersetorial entre CRAS e CREAS para discutir casos complexos e definir estratégias conjuntas.
- Promover encontros periódicos entre as equipes para troca de informações, planejamento de ações e acompanhamento das famílias.
4. Capacitar Equipes para Atendimento Articulado
- Oferecer formações contínuas para assistentes sociais, psicólogos e demais profissionais sobre o papel complementar do PAIF e do PAEFI.
- Trabalhar a importância da escuta qualificada e do trabalho em rede, evitando que as famílias fiquem “pulando” entre serviços sem um acompanhamento efetivo.
5. Fortalecer a Articulação com a Rede de Proteção
- Estabelecer parcerias com Saúde, Educação, Justiça, Conselho Tutelar e demais políticas públicas para um atendimento mais amplo e eficaz.
- Criar canais de comunicação entre os serviços para agilizar encaminhamentos e fortalecer a rede de apoio às famílias.
6. Monitorar e Avaliar o Impacto da Integração
- Criar indicadores de acompanhamento para verificar se os encaminhamentos entre PAIF e PAEFI estão sendo eficazes.
- Coletar relatos das famílias para entender como elas percebem o atendimento e onde há necessidade de ajustes.
Leia também: Como elaborar fluxos e protocolos entre PAIF e PAEFI
Conclusão
O Trabalho Social com Famílias no SUAS vai muito além de um simples atendimento. Ele envolve a construção de laços, a valorização da dignidade e a promoção da autonomia. Quando realizado com uma abordagem territorializada e humanizada, o impacto nas comunidades é muito mais significativo.
Conhecer o território e suas especificidades permite que os profissionais da Assistência Social atuem de forma mais eficaz, garantindo que cada família receba o suporte necessário para viver com mais dignidade.
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Referências
BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Caderno de Orientações. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Brasília, 2016. Disponível em: https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Cartilha_PAIF_1605.pdf