COMO ELABORAR O PLANO DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NO SUAS?

Tempo de leitura: 9 minutos

Por Ana Paula Lucas

O trabalho social com família no âmbito do PAIF constitui-se como a base da Política Nacional de Assistência Social, consolidando a proposta de proteção social como “direito do cidadão e dever do Estado”, que busca romper com o passado clientelista e segmentado da política de assistência social no Brasil.

Com a implantação do SUAS (e mais especificamente através das ações do CRAS/PAIF), o Estado oferta ao cidadão o acompanhamento necessário para prevenir situações de risco, fortalecer vínculos familiares/comunitários e desenvolver suas potencialidades.

Neste contexto, o Plano de Acompanhamento Familiar (PAF) assume papel central como ferramenta necessária e indispensável para orientar o trabalho das equipes de referência e propiciar ao usuário ampla participação em todo o processo de acompanhamento.

O Plano de Acompanhamento Familiar nada mais é do que o diagnóstico da realidade de famílias referenciadas aos serviços de proteção social, no que tange aos vários aspectos da vida em sociedade: moradia, emprego/renda, saúde, educação, convivência familiar/comunitária, riscos/vulnerabilidades sociais.

O território no qual as famílias vivem, assume importância central na elaboração Plano de Acompanhamento Familiar, sendo essencial que as equipes de referência o conheçam para identificar corretamente suas potencialidades, bem como os riscos e entraves que impõem à concretização do trabalho social com famílias.

Leia também: As potencialidades do Acompanhamento Familiar na Assistência: porquê fazer um Plano de Acompanhamento. 

 

COMO ELABORAR UM PLANO DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR

  • DIAGNÓSTICO

O primeiro passo para se elaborar um plano de acompanhamento familiar é a realização de um diagnóstico. O Plano de Acompanhamento Familiar inicia-se a partir do momento em que a família é acolhida no equipamento de proteção social. Por esse motivo, a equipe de referência deve estar totalmente alinhada no sentido de oferecer um ambiente que transmita confiança e escuta adequada de suas necessidades.

Para a realização do diagnóstico a equipe de referência precisa conhecer essa família: sua composição, idade de seus membros, situação de emprego/renda e moradia, presença de idosos ou pessoas com deficiência, se beneficiária ou não de programas de transferência de renda, acesso à serviços de saúde e educação e conhecimento do território onde vivem.

Obter os dados acima citados são primordiais para o diagnóstico. No entanto, a equipe de referência pode agregar outros pontos que considere importante, diante de particularidades observadas no contexto de cada família em acompanhamento.

Faz-se necessário que cada família tenha uma pessoa de referência, que ficará responsável por prestar as informações necessárias à elaboração do Plano de Acompanhamento Familiar e através da qual a equipe de referência irá construir o vínculo com os demais membros da família. 

  • POTENCIALIDADES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIAS

A lógica da Política de Assistência Social e do SUAS está alicerçada no desenvolvimento de potencialidades que as famílias já possuem e que podem colaborar para a superação das situações de risco/vulnerabilidades vivenciadas.

Toda família possui potencialidades e elas devem ser devidamente indicadas  no Plano de Acompanhamento Familiar. Quando elas são devidamente indicadas, possibilita à equipe de referência direcionar esforços para sua manutenção e seu fortalecimento ao longo do acompanhamento.

Os objetivos remetem ao resultado que será alcançado pela família, considerando aspectos já levantados no diagnóstico e que se relacionam, em sua maioria, com outras políticas públicas.

Por exemplo: se um dos objetivos for a superação da situação de pobreza, essa família poderá ser capacitada profissionalmente antes de ser encaminhada ao mercado de trabalho. Logo, para atingir esse objetivo, precisa acontecer a interface entre a Política de Assistência Social e a Política de Emprego/Renda.

No que tange às estratégias, mais uma vez, a interface com outras políticas públicas será indispensável, já que as demandas apresentadas pela família não se restringem somente àquelas que são de responsabilidade da Política de Assistência Social.

Seguindo o exemplo anterior: os adultos da família foram capacitados profissionalmente e, conseguiram colocação no mercado de trabalho. Porém, a família também é composta por uma criança que não está inserida na rede municipal de educação.

Logo, a equipe de referência fará o devido encaminhamento para que essa criança seja inserida na creche, garantindo seu direito de acesso à educação, bem como a segurança necessária para que os pais possam trabalhar.

Assim sendo, as potencialidades, os objetivos e as estratégias estão interligados e constituem a base do Plano de Acompanhamento Familiar, direcionando as famílias para a superação de vulnerabilidades e fortalecimento de sua função protetiva.

  • OFÍCIOS, CRONOGRAMA E AVALIAÇÃO

 É importante para o Plano de Acompanhamento Familiar registrar informações por meio das quais é possível construir o histórico de todo o acompanhamento desenvolvido, bem como monitorar o impacto deste na vida da família.

A equipe de referência deverá registrar os ofícios por ela emitidos e recebidos de órgãos da rede de serviços e que contenham informações sobre a família acompanhada. Esses órgãos pode ser: Conselho Tutelar, Unidades de Saúde, Escolas, Serviço de Saúde Mental, Ministério Público, Poder Judiciário.

Esse registro é de suma importância para o embasamento de todas as intervenções realizadas e objetiva mensurar o alcance das mesmas em termos de ofertar as condições necessárias para promover a família.

O cronograma estabelecerá os prazos para a realização das ações e alcance dos objetivos previstos no Plano de Acompanhamento Familiar e, deve considerar as particularidades de cada família.

A avaliação diz respeito ao alcance (ou não) dos objetivos previstos e, permite à equipe de referência mensurar os ganhos que a família adquiriu ao longo do acompanhamento.

Nesta etapa, é possível rever os objetivos, modificá-los ou estabelecer novos objetivos que correspondam à realidade vivenciada pela família no momento.

Por fim, vale ressaltar que todo o processo de construção, desenvolvimento e avaliação do Plano de Acompanhamento, é feito de forma conjunta pela equipe de referência e a família acompanhada, com o suporte dos demais órgãos da rede de serviços conforme a necessidade de cada família.

Leia também: Atendimento e acompanhamento no SUAS, você conhece a diferença?

COMO SIMPLIFICAR E PADRONIZAR O ACOMPANHAMENTO FAMILIAR

Devido a quantidade de informações necessárias para a construção de um Plano de Acompanhamento Familiar, se faz necessário muito empenho e organização da equipe socioassistencial envolvida no acompanhamento das famílias.

Nesse processo,  já pensou se você pudesse elaborar um Plano de Acompanhamento Familiar dentro do próprio Prontuário SUAS e como isso ia facilitar a organização das informações e do acompanhamento das famílias?

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CONCLUSÃO

O Plano de Acompanhamento Familiar é um instrumento de diagnóstico que direcionará todo o trabalho da equipe de referência, sendo pautado na lógica do trabalho social com famílias no SUAS.

Essa lógica materializa-se através de ações de caráter preventivo, protetivo e proativo, considerando as potencialidades das famílias e vulnerabilidades às quais estão submetidas no território onde vivem.

Para elaborar o Plano de Acompanhamento Familiar, o início parte da acolhida da família e do estabelecimento da referência e do vínculo entre esta e os profissionais responsáveis pelo acompanhamento. Logo, trata-se de uma construção conjunta, onde a escuta qualificada faz toda a diferença para os resultados que se pretende alcançar.

Basicamente, o Plano de Acompanhamento Familiar é constituído pelas seguintes partes: diagnóstico, potencialidades, objetivos, estratégias, ofícios, cronograma e avaliação.

Apesar de ser um instrumento de diagnóstico do SUAS, as ações do Plano de Acompanhamento Familiar não se restringem somente aos serviços, benefícios, programas e projetos da Política de Assistência Social.

Deve contemplar, também, as demandas da família com relação às demais políticas públicas, sempre na prerrogativa de garantia de direitos e proteção social de seus membros.

E nesse processo, o GESUAS ao promover uma interação simples e fidedigna entre os profissionais que prestam os serviços e as famílias assistidas, garante que todos os serviços prestados estejam devidamente armazenados e organizados, otimizando e padronizando o acompanhamento.

Você já conhecia o Plano de Acompanhamento Familiar? No município onde você atua ele é utilizado de forma correta? Conte pra gente!

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 BRASIL. Resolução nº 145 de 15 de outubro de 2004. Aprova a Política Nacional de Assistência Social  – PNAS.

BRASIL. Orientações Técnicas Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. Brasília, 2009, Reimpresso em 2012.

BRASIL. Orientações Técnicas sobre o PAIF, Volume 2 – Trabalho Social com Famílias do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF. 1ª edição, Brasília, 2012.

 

 

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