Coordenador do CRAS: funções, desafios e práticas de gestão

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O coordenador do CRAS e o coordenador do CREAS no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) são responsáveis pela gestão dos profissionais que atuam na garantia de direitos.

Esse trabalho envolve a recorrência de demandas complexas e a coordenação de diversos perfis técnicos em meio a um contexto de limitações estruturais dos serviços.

Além disso, os coordenadores do CRAS e do CREAS também devem estimular a troca de conhecimentos entre a equipe e investir em formação continuada, como prevê a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS).

Contudo, é comum que a realidade dessas coordenações seja marcada pela resolução de problemas imediatos e pela escassez de tempo para acompanhar o trabalho das equipes, organizar processos e planejar melhorias.

No conteúdo a seguir, detalhamos o papel do coordenador do CRAS e do CREAS no SUAS e quais são as práticas para uma gestão respeitosa, estratégica e eficiente. Continue a leitura.

Quais são as funções dos coordenadores do CRAS e do CREAS?

O coordenador do CRAS e o coordenador do CREAS no SUAS atuam na estruturação das ações de planejamento, execução e acompanhamento constante da proteção social

Esses gestores desenvolvem a orientação técnica, o alinhamento metodológico, a mediação de conflitos, a resolução de questões burocráticas e administrativas e o monitoramento dos resultados nos diversos equipamentos do SUAS. 

Dessa forma, o papel das coordenações é fundamental para a qualidade dos serviços prestados às famílias e o cumprimento das ações previstas na Política Nacional de Assistência Social.

No Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o coordenador do CRAS participa de reuniões de discussão de casos, realiza a articulação com a rede intersetorial e coordena as atividades realizadas desde o diagnóstico até a avaliação. 

De acordo com as Orientações Técnicas do CRAS, suas atribuições ainda incluem:

Já no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a rotina inclui reuniões técnicas periódicas para alinhar encaminhamentos, participação nos levantamentos da Vigilância Socioassistencial e organização do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI).

Além disso, as Orientações Técnicas do CREAS apontam as seguintes funções do coordenador do CREAS:

  • gerir os processos de trabalho da equipe;
  • articular a implantação do CREAS;
  • coordenar as ofertas de serviço;
  • supervisar os registros das informações; 
  • compreender as necessidades de ampliação e capacitação das equipes de referência.

Veja também quais são os desafios da coordenação do CRAS.

Como a coordenação do SUAS pode mediar conflitos?

Na mediação de conflitos, a coordenação do SUAS pode atuar para reforçar a importância do diálogo caso haja diferenças de interpretação técnica ou dificuldade de relacionamento entre os profissionais e usuários. 

Além disso, os gestores devem definir, em conjunto, os processos de trabalho e as estratégias e ferramentas teórico-metodológicas que serão utilizadas para que todos se sintam integrados às atividades desenvolvidas.

A escuta qualificada, as reuniões de alinhamento e o acordo coletivo dos procedimentos adotados também são fundamentais para a prevenção e a resolução das divergências.

Desse modo, os conflitos deixam de ser tratados apenas como problemas de relacionamento e passam a refletir processos organizacionais que podem ser ajustados.

Como coordenar equipes sem gerar sobrecarga profissional?

A sobrecarga profissional das equipes do SUAS pode acontecer devido a fluxos indefinidos, retrabalho e concentração de decisões na coordenação.

Para reduzir esse desgaste, o coordenador do CRAS e o coordenador do CREAS precisam definir responsabilidades, construir protocolos internos e distribuir demandas de forma equilibrada.

Na rotina, alguns processos simples, criados pelo gestor, podem fazer a diferença e reduzir essa sobrecarga, como: 

  • criar uma planilha de distribuição de casos por técnico de referência;
  • definir um protocolo interno de fluxo de acolhida e encaminhamento;
  • elaborar uma agenda fixa de reuniões de equipe para definir prioridades;
  • implementar uma escala de plantão técnico para situações emergenciais;
  • manter o registro padronizado de encaminhamentos no Prontuário SUAS.

Tais medidas também ajudam a evitar que a coordenação permaneça imersa em demandas emergenciais.

Por outro lado, a sobrecarga constante e a desorganização dos processos podem comprometer as decisões técnicas. 

A prevenção desse problema ajuda a proteger as equipes e as famílias atendidas, além de construir resultados sólidos ao longo do tempo. 

Como monitorar os resultados da equipe?

O monitoramento técnico no SUAS busca compreender a realidade atendida pelos serviços e subsidiar decisões mais qualificadas. No entanto, uma coordenação do SUAS focada exclusivamente em metas pode gerar insegurança e burocratização do trabalho. 

É preciso que a coordenação do CRAS e a coordenação do CREAS tenham clareza sobre o perfil das famílias, as principais demandas desse grupo e os meios disponíveis para a continuidade dos acompanhamentos. 

A partir disso, os indicadores que podem ser avaliados pela coordenação em parceria com os técnicos do SUAS são: 

  • número de famílias em acompanhamento por território;
  • tempo médio entre a acolhida e o início do acompanhamento;
  • taxa de reincidência de encaminhamentos para o mesmo caso;
  • cobertura territorial dos serviços ofertados;
  • volume de atendimentos registrados no Registro Mensal de Atendimentos (RMA).

Dessa forma, o gestor será capaz de compreender o impacto das atividades desenvolvidas no cotidiano e quais mudanças serão necessárias na rotina de trabalho.

Como a tecnologia pode apoiar a coordenação no SUAS?

As tarefas administrativas repetitivas representam uma demanda considerável da coordenação no SUAS e podem ser reduzidas com o uso da tecnologia. 

Na plataforma da GESUAS, por exemplo, as decisões da coordenação são facilitadas pela integração das informações e pela facilidade de acompanhamento do trabalho realizado pelas equipes.

A solução também otimiza as atividades de Vigilância Socioassistencial, a análise dos indicadores e a emissão de relatórios, o que amplia o tempo disponível para atividades técnicas.

Assim, a GESUAS traz mais organização para o trabalho da gestão, ajuda a identificar padrões e a antecipar problemas comuns na rotina.

Conclusão

A coordenação do SUAS deve criar as condições para que o trabalho aconteça com qualidade, segurança e coerência técnica.

Dessa forma, os coordenadores qualificam a oferta dos serviços ao promoverem o planejamento, o acompanhamento das equipes, a educação permanente e a gestão da informação.

O uso de tecnologias capazes de organizar as informações e facilitar o monitoramento dos serviços é essencial para o avanço da análise técnica, da tomada de decisão e da proteção social. 

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Perguntas frequentes

O que é supervisão técnica no SUAS?

É um processo permanente de apoio às equipes, previsto na gestão do trabalho do SUAS, destinado a qualificar decisões técnicas e organizar processos de trabalho.

Qual é o papel do coordenador do CRAS na supervisão das equipes?

O coordenador do CRAS promove alinhamento técnico, acompanha indicadores, apoia profissionais em casos complexos e fortalece a articulação com a rede socioassistencial.

A supervisão técnica é obrigatória no SUAS?

Sim. A NOB-RH/SUAS prevê a gestão do trabalho, incluindo a supervisão técnica, como eixo estruturante para a qualificação dos serviços socioassistenciais.

Como reduzir a sobrecarga das equipes do SUAS?

Definir responsabilidades, padronizar procedimentos, distribuir demandas de forma equilibrada e reservar espaços permanentes para supervisão reduzem a sobrecarga das equipes.

Qual a diferença entre supervisão técnica e gestão administrativa?

A supervisão técnica qualifica decisões e intervenções profissionais. A gestão administrativa organiza documentos, recursos e processos operacionais do serviço. No cotidiano do SUAS, as duas áreas trabalham em conjunto.

Como a educação permanente fortalece a supervisão técnica?

A Política Nacional de Educação Permanente do SUAS cria espaços coletivos de reflexão que aprimoram decisões e fortalecem a atuação interdisciplinar das equipes.

Quem deve participar dos espaços de supervisão técnica?

Assistentes sociais, psicólogos e demais técnicos de referência participam da supervisão, sob a condução do coordenador responsável pela unidade.

Referências

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