Psicólogo no CRAS e no CREAS: qual é seu papel na proteção social?

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O psicólogo integra as equipes de referência do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), desempenhando funções específicas no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)

Porém, ainda existem dúvidas sobre quais atividades fazem parte dessa atuação e quais demandas devem ser encaminhadas para outros serviços.

Nos cursos de Psicologia, é comum a ênfase na prática clínica. Com isso, muitos profissionais ingressam na assistência social sem contato aprofundado com os marcos normativos que organizam o SUAS.

Além disso, o desconhecimento sobre a atuação do psicólogo no SUAS também é frequente entre os usuários do sistema.

As referências técnicas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) orientam para uma atuação voltada à proteção social, ao fortalecimento de vínculos e ao trabalho interdisciplinar com famílias e comunidades.

Neste artigo, você verá qual é o papel do psicólogo no CRAS e no CREAS, quais são os limites da atuação, como ocorre a articulação com o Serviço Social e quais competências fortalecem o exercício profissional no território.

Qual é o papel do psicólogo no CRAS?

O psicólogo no CRAS deve contribuir para o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, a prevenção de situações de risco social e o desenvolvimento da autonomia das famílias acompanhadas pela proteção social básica, considerando os recursos e potencialidades presentes no território.

Para isso, sua atuação ocorre por meio de atendimentos psicossociais, atividades coletivas, ações comunitárias e trabalho interdisciplinar com a equipe de referência.

Essa atuação não substitui a psicoterapia e segue as normas técnicas do Conselho Federal de Psicologia para a inclusão da Psicologia na Política Nacional de Assistência Social. 

Dessa forma, o psicólogo no SUAS trabalha a partir das demandas do território, considerando as condições sociais, familiares e comunitárias que influenciam a vida dos usuários.

Como a Psicologia contribui para os objetivos da proteção social básica?

O trabalho do psicólogo no CRAS está alinhado aos objetivos do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF)

  • fortalecer vínculos; 
  • ampliar o acesso a direitos;
  • estimular a participação social das famílias acompanhadas.

Para isso, a conduta profissional considera a realidade social, econômica e cultural do território. 

A partir dessa leitura, o psicólogo identifica recursos individuais e coletivos que podem ser mobilizados para reduzir vulnerabilidades, fortalecer capacidades protetivas e estimular a rede de apoio das famílias. 

Também busca reconhecer potencialidades já existentes nos indivíduos, famílias e comunidades, favorecendo processos de autonomia e participação social.

Ainda, o diálogo entre o saber técnico e a experiência cotidiana contribui para os processos de mobilização social e a participação comunitária.

Quais atividades fazem parte da rotina do psicólogo no CRAS?

No cotidiano do CRAS, o psicólogo participa de diferentes ações voltadas à Proteção Social Básica, entre elas:

  • acolhida das famílias que chegam à unidade;
  • atendimentos individuais e familiares de caráter psicossocial;
  • condução de atividades coletivas;
  • participação em grupos do PAIF;
  • desenvolvimento de ações comunitárias;
  • articulação com serviços e políticas públicas do território.

Essas atividades mantêm foco preventivo e buscam fortalecer a convivência familiar e comunitária, sem configurar acompanhamento clínico continuado.

O psicólogo realiza atendimento clínico no CRAS?

Não. O CRAS não substitui os serviços de saúde mental e não realiza psicoterapia.

A presença do psicólogo na equipe frequentemente gera a expectativa de atendimento clínico tradicional. Entretanto, a finalidade da unidade é desenvolver ações de proteção social, e não ofertar tratamento psicológico continuado.

O trabalho desenvolvido no CRAS possui caráter psicossocial e territorial. A psicoterapia exige enquadre clínico específico, continuidade do atendimento e objetivos terapêuticos que não fazem parte da organização dos serviços socioassistenciais.

Por esse motivo, o psicólogo realiza acolhimentos, atendimentos pontuais, visitas domiciliares, oficinas e atividades coletivas voltadas ao fortalecimento de vínculos e à prevenção de riscos sociais.

Como proceder quando há demanda por acompanhamento psicológico?

Quando uma família apresenta necessidade de acompanhamento psicológico continuado, a equipe realiza o encaminhamento para a rede de saúde mental.

Nesse processo, o psicólogo do CRAS atua como articulador entre os serviços, ajudando a garantir que o encaminhamento não interrompa o acompanhamento socioassistencial já realizado pela equipe de referência.

Para se aprofundar, leia também o conteúdo sobre como funciona a articulação em rede no SUAS.

Modelo de Formulário de Encaminhamento para CRAS, CREAS e SUAS em geral para download

Qual é a diferença entre a atuação do psicólogo e do assistente social no CRAS?

Enquanto o assistente social atua na mediação do acesso a direitos, benefícios e políticas públicas, o psicólogo contribui para a compreensão dos aspectos subjetivos envolvidos nas situações de vulnerabilidade e risco social, articulando essa análise ao contexto familiar, comunitário e territorial.

As duas profissões possuem competências próprias e complementares, o que torna indispensável a atuação integrada dentro da equipe de referência.

Como é o trabalho do assistente social no CRAS?

A garantia de direitos e o acesso das famílias às políticas públicas estão no centro da atuação do assistente social.

Entre suas atribuições estão a realização de estudos sociais, visitas domiciliares, encaminhamentos e acompanhamento de demandas relacionadas à proteção social. 

Logo, o foco do trabalho está na mediação entre usuários, serviços e benefícios disponíveis na rede socioassistencial.

O que caracteriza a intervenção do psicólogo no CRAS?

Os aspectos subjetivos presentes nas situações de vulnerabilidade social constituem o principal campo de atuação do psicólogo.

Conflitos familiares, rompimentos de vínculos, processos de luto e dificuldades de convivência são exemplos de situações que podem demandar essa leitura especializada. 

Nesses casos, a análise psicológica contribui para a construção de estratégias de acompanhamento compatíveis com os objetivos da proteção social.

Como ocorre a atuação interdisciplinar na equipe de referência?

A atuação interdisciplinar reúne diferentes olhares sobre uma mesma situação familiar.

Psicólogo e assistente social compartilham informações, discutem hipóteses de intervenção e definem responsabilidades dentro do acompanhamento. 

Em alguns casos, uma visita domiciliar realizada pelo assistente social pode identificar dificuldades de convivência familiar que serão aprofundadas posteriormente pelo psicólogo durante os atendimentos psicossociais.

Os registros técnicos e os espaços de discussão de caso ajudam a organizar esse trabalho conjunto e tornam as decisões da equipe mais consistentes.

Como o psicólogo atua no CREAS?

O psicólogo no CREAS atua em situações nas quais já existe violação de direitos. Seu trabalho envolve acolhimento, escuta qualificada, acompanhamento psicossocial e participação na construção de estratégias de proteção para indivíduos e famílias.

A atuação ocorre em conjunto com assistentes sociais e outros profissionais da equipe multiprofissional, conforme prevê a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS)

No geral, esse trabalho está vinculado ao Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), principal serviço ofertado pelo CREAS.

Veja também como estruturar os serviços e o fluxo entre CRAS e CREAS.

Quais situações demandam atuação psicológica no CREAS?

Entre as situações mais frequentes estão:

  • violência doméstica;
  • violência sexual;
  • trabalho infantil;
  • situação de rua;
  • cumprimento de medidas socioeducativas;
  • rompimento de vínculos familiares.

Em todos esses casos, o acompanhamento ocorre de forma articulada com a rede de proteção. Quando necessário, o plano de intervenção pode envolver medidas de proteção e encaminhamentos para outros serviços especializados.

Quais competências o psicólogo precisa desenvolver para atuar no SUAS?

O psicólogo do SUAS precisa compreender a organização da política de assistência social, conhecer os serviços da rede e desenvolver capacidade de trabalho interdisciplinar.

Além disso, o domínio dos marcos normativos do SUAS ajuda o psicólogo a identificar corretamente suas atribuições dentro da política pública.

Quais conhecimentos fortalecem a atuação do psicólogo no território?

Os conhecimentos sobre proteção social, garantia de direitos e trabalho em rede ajudam esse profissional a reconhecer os recursos disponíveis no território e a construir os encaminhamentos mais qualificados.

Outra compreensão é relevante diz respeito aos fluxos entre assistência social, saúde, educação e sistema de garantia de direitos. Esse entendimento favorece a continuidade do acompanhamento das famílias e reduz as barreiras de acesso aos serviços necessários.

Como as atividades coletivas ampliam os resultados do trabalho?

Grupos e ações comunitárias ampliam o alcance das intervenções porque permitem que experiências individuais sejam discutidas de forma coletiva, fortalecendo vínculos e redes de apoio.

Nesses espaços, o psicólogo não atua como terapeuta do grupo. Seu papel é planejar metodologias participativas, estimular reflexões, facilitar o diálogo entre os participantes e identificar fatores que influenciam a convivência familiar e comunitária.

Aproveite para conferir também ideias de temas para oficinas com as famílias no PAIF!

Conclusão

A especificidade da atuação do psicólogo no SUAS está na capacidade de relacionar os processos subjetivos às condições sociais vivenciadas pelas famílias que são acompanhadas pelos serviços socioassistenciais. 

Essa perspectiva amplia a compreensão das situações atendidas e fortalece a construção de estratégias de proteção compatíveis com os objetivos da política de assistência social.

O planejamento qualificado a partir das demandas do território é fundamental para que esse trabalho se torne capaz de responder às demandas do território.

Nesse processo, é preciso contar com recursos que organizam os registros, monitoram os atendimentos e apoiam a gestão cotidiana. 

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Perguntas frequentes

Qual o papel do psicólogo dentro do CRAS?

Contribuir para o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, a prevenção de riscos sociais e o desenvolvimento da autonomia das famílias.

Tem psicólogo pelo CRAS?

Sim. O CRAS pode contar com psicólogos na equipe de referência, que atuam no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários por meio de atendimentos psicossociais, grupos e ações no território. Porém, o atendimento por meio da psicoterapia, não faz parte das atribuições do serviço.

Quais são as referências técnicas para atuação do psicólogo no CRAS/SUAS?

As Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no CRAS/SUAS do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB-RH/SUAS) são as principais referências.

O que o psicólogo faz no CREAS?

Ele atua no acompanhamento de indivíduos e famílias que vivenciam situações de violência, negligência ou rompimento de vínculos familiares. O trabalho envolve acolhimento, escuta qualificada e apoio na construção de estratégias de proteção e fortalecimento dos vínculos.

Qual é o papel do psicólogo no CRAS e no CREAS?

No CRAS, o psicólogo atua na prevenção de situações de risco social e no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. No CREAS, acompanha indivíduos e famílias em situações de violação de direitos, contribuindo para a proteção social e a reconstrução de vínculos.

O psicólogo e o assistente social realizam as mesmas atividades?

Não. Cada profissão possui competências específicas, embora atuem de forma integrada na equipe de referência.

O psicólogo do CRAS e do CREAS pode realizar visita domiciliar?

Sim. A visita domiciliar pode fazer parte da atuação do psicólogo tanto no CRAS quanto no CREAS, desde que esteja relacionada aos objetivos do acompanhamento socioassistencial. Essa atividade contribui para a compreensão da realidade familiar, das relações comunitárias e das condições que influenciam as situações vivenciadas pelos usuários.

Referências